Itália e Alemanha pedem que Irã volte a negociar mesmo após sanções
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Após uma reunião em Berlim, os ministros de Relações Exteriores da Itália e da Alemanha comentaram sobre o programa nuclear iraniano, dizendo que além das sanções que a ONU deve aplicar contra o país, a comunidade internacional precisa convencer a República Islâmica a retomar negociações.
Mais cedo, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deixou claro que o país deve ser inflexível com relação a novas negociações caso sofra sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Preocupado com um posterior isolamento do Irã com a aprovação das sanções, o ministro de Relações Exteriores da Itália destacou a importância de que um esforço do Ocidente para buscar negociações não seja abandonado.
"Seria oportuno que, assim que adotada a resolução [de um novo pacote de sanções], a comunidade internacional lançasse um apelo formal ao Irã para que voltasse às negociações", afirmou Frattini ao ser questionado sobre o tema.
"Esperamos a resolução do Conselho de Segurança", complementou.
O rascunho do texto já está pronto e poderia ser aprovado nos próximos dias, segundo os diplomatas da ONU.
Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, informou que "Teerã deve ser transparente. Estamos prontos a negociar, mas não podemos aceitar a desestabilização da segurança, porque a arma atômica é contra o direito internacional".
Resolução
Uma resolução que impõe a quarta rodada de sanções ao Irã por seu programa nuclear está pronta para ser votada pelo Conselho de Segurança da ONU, segundo um texto que circulou nesta segunda-feira.
Não foi marcada uma data para a votação, mas os EUA têm pressionado para uma ação rápida, possivelmente esta semana. O embaixador da França na ONU, Gerard Araud, disse ontem a jornalistas que a votação deve acontecer "em curtíssimo prazo". Já diplomatas ouvidos pela agência Reuters falaram que a votação deve ser na quarta-feira (9).
Os EUA e potências aliadas acusam o Irã de querer desenvolver armas nucleares, mas Teerã insiste que seu programa tem apenas fins pacíficos.
Os 15 membros do Conselho se reuniram a portas fechadas nesta segunda-feira, a pedido de Turquia e Brasil, para discutir como prosseguir com a resolução de sanções, após cinco meses de negociações.
Turquia, Brasil e Líbano não devem votar a favor da resolução, mas nenhum deles tem poder de veto no Conselho. Diplomatas ocidentais esperam que 12 países, incluindo todos os cinco membros com poder de veto, votem a favor da medida, assegurando que seja aprovada.
Sanções
O rascunho da resolução foi fruto de meses de conversas entre EUA, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras -- algumas tendo como alvo o setor de energia iraniano--, mas Rússia e China trabalharam duramente para amenizar as sanções.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, foi citado dizendo que o novo texto exclui sanções que iriam paralisar o Irã e, em vez disso, "concentra-se em medidas de não-proliferação e assegura ao máximo os interesses econômicos de Rússia e China".
A resolução pede por medidas contra novos bancos iranianos no exterior se houver suspeita de envolvimento com os programas de mísseis ou com o programa nuclear iraniano. Também há medidas de vigilância de transações com qualquer banco iraniano, incluindo o Banco Central do Irã. A resolução ainda amplia o embargo de armas contra Teerã.
Empresas e pessoas listadas nos anexos vão enfrentar congelamento de bens e proibição de viagens internacionais.
O texto proíbe o Irã de buscar "qualquer atividade relacionada a mísseis balísticos capaz de desenvolver armas nucleares". Também proíbe investimento iraniano em atividades como mineração de urânio, e proíbe o país persa de comprar vários tipos de armas pesadas, como helicópteros de ataque e mísseis.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/747243-italia-e-alemanha-pedem-que-ira-volte-a-negociar-mesmo-apos-sancoes.shtml .
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